20 de junho de 2016

Formação de pilotos: competência técnica e experiência bastam?

A importância das habilidades sociais em pilotos de aeronaves e para a segurança de voo.
As últimas décadas têm se consolidado pela valorização dos recursos humanos na aviação com a percepção de que estes recursos são tão ou mais importantes que os tecnológicos e materiais.
Muito dinheiro tem sido investido em estudos para compreender e poder gerenciar melhor as pessoas. Em especial na aviação onde se descobriu que, na grande maioria dos casos, os acidentes aéreos são provocados por falhas humanas, entender como se comporta o homem sob as mais variáveis situações virou questão de segurança de voo. Só para se ter uma ideia, estudos apontam que 80% dos acidentes na aviação estão relacionados a falhas na comunicação interpessoal.
O senso comum diz que um bom profissional é aquele tem uma boa formação técnica e ou acadêmica, e possua certa experiência, mas, apesar disto, o seu desempenho profissional pode não corresponder com sua experiência ou formação. Você conhece alguém assim? Muito bom tecnicamente falando, mas com baixo desempenho no trabalho, e, na grande maioria das vezes, nem ele mesmo consegue explicar o por quê.

Para que um profissional se torne proficiente é necessário também que ele desenvolva habilidades sociais, e essa matéria, infelizmente, não faz parte da grade curricular da grande maioria dos cursos, sobre tudo os técnicos, como é o caso do curso para a formação de um piloto de aeronave.
Mas, especificamente no caso dos pilotos, será mesmo que haveria a necessidade de desenvolver essas competências ou habilidades que pudessem melhorar a relação interpessoal? Até que ponto essas habilidade interferem diretamente no desempenho profissional?  É possível desenvolvê-las ou são habilidades inatas?
Como todos sabem o comando de uma aeronave não é um lugar solitário, sem dúvida alguma, ao lado desse piloto existe toda uma equipe cooperando para que esse voo seja bem sucedido, portanto, trabalhar em equipe é uma necessidade do piloto e uma das habilidades sociais que ele precisará desenvolver se quiser ter sucesso e o mesmo número de pousos e de decolagens.
O Dr. Vicente Cabalo descreveu habilidades sociais como comportamentos que ajudam o indivíduo a lidar com situações nas quais ele deve:
  1. Interagir com outros indivíduos
  2. Chegar a um resultado desejado
  3. Manter sua autoestima e uma boa relação com que interage.
O psicólogo Harold Gardner, por sua vez, afirmou que a inteligência interpessoal gera a capacidade de interagir melhor com o outro, entendendo melhor suas intenções, motivações e desejos, e, como consequência dessa boa interação o profissional em questão poderá trabalhar mais eficazmente, sendo capaz não só de compreender e respeitar a emoção do outro, mas também de expressar sentimentos,desejos, opiniões ou seus direitos, de modo adequado ao ambiente em que estiver inserido, sendo capaz inclusive de resolver ou minimizar problemas e conflitos. Não é exatamente o que qualquer profissional, inclusive os pilotos precisam para poder trabalhar eficazmente?
É comum imaginar que faz parte do desenvolvimento de qualquer profissional a aquisição de competências de habilidades sociais e de inteligência interpessoal, logo, deveria ser parte integrante e indispensável de todo programa de formação profissional, independente da área de atuação, uma vez que o desenvolvimento dessas habilidades certamente contribuiria para o desempenho diferenciado e a excelência profissional.E, mais especificamente ainda para os pilotos de aeronaves, uma vez que os benefícios incluem sua própria segurança e de outras pessoas. Mas, infelizmente, não é isso o que acontece.
A formação convencional, técnica e ou acadêmica, normalmente, deixa a desejar com relação a treinamentos que desenvolvam essas habilidades. Então como suprir essa carência na formação? Será que qualquer pessoa inclusive àquelas com dificuldade em relacionar-se, podem adquirir habilidades interpessoais por meio de treinamento?
Sim! Isso porque tais habilidades, como muitos podem pensar, não são inatas à personalidade, são comportamentos que podem ser aprendidos e desenvolvidos por meio de treinamentos, ou por um processo de coaching, onde é possível também desenvolver o autoconhecimento, uma vez que quanto mais consciente o profissional estiver acerca das próprias emoções, mais facilmente será possível entender o sentimento alheio.
Nos próximos post vamos falar mais especificamente sobre algumas dessas habilidades, como empatia, feedback e comunicação. Vamos falar também sobre o programa CRM (Crew Resource Management) que tem como objetivo reduzir o erro humano, fornecendo à tripulação várias estratégias a fim de melhorar a eficácia. #fiqueligado

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