20 de junho de 2016

Voar em outro país, já pensou nisso? Que tal Dubai? Parte I

A Editora Espaço Aéreo entrevistou com exclusividade uma comissária de voo que trabalhou por muitos anos em uma grande empresa nacional e que aceitou e encarou o desafio de trabalhar na Emirates. Para poder revelar alguns detalhes sem se comprometer ela pediu para não ser identificada, assim ela pôde contar livremente sobre seu processo seletivo, sua adaptação na nova empresa e também no novo país.

Processo seletivo:

A comissária G.F. nos contou que durante todo o processo seletivo só se fala em inglês, inclusive no Open Day (OD) onde os entrevistadores fazem algumas perguntas básicas, verificam se com sua altura você consegue alcançar a marca de 2.12m. de altura. Caso seja aprovado nessa etapa você é encaminhado para o Assessement Day (AD) que é a segunda fase do processo seletivo.
No AD são feitas algumas dinâmicas e G. F. contou para a Espaço Aéreo alguns detalhes de uma dessas dinâmicas:
“Eles mostraram a figura de um determinado lugar e você precisava dar dicas sobre aquele lugar. Se você não conhecesse deveria ser criativo e inventar. O grupo era formado por três pessoas e ao final das dinâmicas você aguardava o resultado que saia em alguns minutos. Quem passou no AD saia com o agendamento para a fase seguinte”.
A terceira etapa é constituída por uma prova de inglês, que pode ou não incluir uma redação, além de mais algumas dinâmicas e que, sob o ponto de vista da G.F., têm o objetivo de verificar como você lida sob pressão e se expressa em inglês nessas condições, além de averiguar o quanto você é capaz de se colocar no lugar da outra pessoa e resolver as questões impostas na dinâmica, da melhor forma possível.
Na Final Interview, quarta fase do processo seletivovocê será entrevistado por cerca de uma hora, obviamente em inglês. G.F. lembra que precisou contar uma circunstância em que ela fez mais do que seu trabalho de comissária exigiria normalmente.  A entrevistadora pediu ainda para ela contasse uma situação ocorrida a bordo onde precisou ajudar um passageiro que estivesse passando por uma situação atípica. G. F. lembrou até de ter sido questionada sobre suas escolhas e os motivos que a levou trocar sua ex-companhia pela Emirates.
Ao término da Final Interview G.F. contou que precisou aguardar cerca de 30 longos dias pela resposta, até então todas as respostas de aprovação, ou não, formam bem rápidas, normalmente no mesmo dia. E, mesmo depois de ter passado por todos os processos seletivos da empresa o resultado não foi o esperado, pois ela não foi aprovada.  G. F. acredita que os motivos dessa recusa podem ter sido por conta da fluência no inglês que poderia não estar adequado aos padrões exigidos, ou porque a ansiedade, nervosismo, etc., a impediu de ter um bom desempenho na entrevista.
Mas, como todo bom brasileiro que não desiste nunca, nossa garota reuniu forças, se empenhou em melhorar ainda mais seu inglês, acreditou nos seus sonhos e tentou mais uma vez, e dessa vez foi aprovada.  Ela contou que participou novamente de todas as etapas do processo seletivo, ou seja, o Open Day, Assessement Day, Prova de Inglês e Final Interview.
Depois de aprovada precisou segurar sua ansiedade por mais três meses, pois o centro de treinamento da empresa estava lotado. Quando o centro de treinamentos da Emirates foi liberado a G. F. foi notificada por e-mail e recebeu ordens para embarcar em 60 dias. Durante esse período ela teve acesso, por meio do portal da empresa, a lista de documentos que precisou providenciar. G. F. conta que essa parte foi bem trabalhosa, mas que contou com a ajuda de outros colegas que estavam ingressando na companhia.
Sobre entrar na Emirates nossa garota dá uma dica muito importante:
“Se você não passar na primeira vez, não fique chateado, não desista, aguarde seis meses e tente novamente. Não é incomum as pessoas não conseguirem na primeira vez. Tente novamente. Conheço pessoas que tentaram muitas vezes, 6, 7, 8 até 10 vezes só então conseguiram. Por isso tenha coragem e não desista, batalhe pelo que você acredita”.
Mas, com a alegria de entrar para o hall de colaboradores de uma empresa tão prestigiada como a Emirates vem também àquela pontinha de medo, afinal nessa decisão pesa o desafio de mudar de continente e para um país com hábitos e cultura tão diferentes do nosso. Ai vem àquela dúvida: será?
Nossa garota, a comissária G. F., encarou todos esses desafios e contou para a Editora Espaço Aéreo como foi sua adaptação nesse novo país e ainda forneceu dicas valiosas para quem está pensando em enfrentar esse gigante.
Ela dividiu os desafios em duas partes: a primeira parte relatou o desafio de trabalhar em uma empresa com regras trabalhistas, cultura organizacional e as expectativas da empresa para com os colaboradores tão diferentes do Brasil, e a segunda parte como foi sua adaptação à cultura e ao país.
Segundo G. F. a adaptação mais difícil foi em relação à empresa:
“Eu fui comissária em uma empresa no Brasil por muito tempo, cerca de oito anos, mas a maioria das pessoas que vem para “Ermis” (como carinhosamente os tripulantes a chamam) não tem experiência nenhuma de voo, para eles é tudo novo, portanto, precisei trabalhar com pessoas que não tinham experiência.
Mas, sem dúvida nenhuma, o maior desafio foi desaprender para aprender, ou seja, a maneira que eu tinha aprendido a trabalhar no Brasil era completamente diferente de como a nova empresa queria que eu trabalhasse, tanto nos procedimentos de serviço de segurança, como no serviço de bordo. Para mim essa foi a parte mais desafiadora. 
Além disso, comparando com a empresa que eu trabalhava antes é muito maior a quantidade de horas e de trabalho. Têm muitos voos na madrugada e você não tem descanso, e claro que não tem também o jeitinho brasileiro, é todo mundo acordado mesmo e trabalhando, e a maioria dos voos é feito dois serviços de bordo. Mesmo conhecendo a rotina do tripulante e sabendo que aqui se trabalhava muito, no começo eu me assustei. Mas o esforço valeu a pena, principalmente porque você tem retorno.
A “Ermis” é muito estável e é muito legal estar aqui e ser parte dessa empresa tão grande e poder voar em tantos destinos diferentes. Eu voo com pessoas que estão aqui há mais de um ano e ainda vão para destinos diferentes! Além disso, a empresa te da tudo: acomodação, transporte, etc.”.
Outro detalhe interessante que G. F. nos contou e que, provavelmente, passa despercebido para muita gente que voa, é o incentivo dos colegas de trabalho, ela explica:
“Não encontrar pessoas conhecidas no aeroporto antes de voar era bem chato no começo, aliás, sinto falta até hoje, isto porque a maioria da tripulação é nova na empresa, e não ter nenhum colega para contar quando surge algum problema ou dúvida, ou um rosto amigo para te desejar boa viagem antes do embarque me fez e me faz muita falta”.
Mas como será que foi à adaptação dela ao novo país? Como será viver em uma cidade completamente projetada para o turismo, com mega construções, em clima de deserto e tão diferente que o nosso, com pessoas vindas de toda a parte do mundo, com hábitos e cultura tão peculiares?  E a vestimenta para as mulheres, será que é permitido andar nas ruas de shorts e camiseta?
No próximo post, G. F. contará como vivenciou esses desafios e como buscou alternativas para vencer a saudade do nosso país e nossa cultura e ainda quais as dicas que ela nos dá para que essa adaptação possa acontecer mais tranquilamente. Imperdível.
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