19 de julho de 2016

Voar em outro país, já pensou nisso? Que tal Dubai? 2° Parte

Imagino que já passou pela cabeça de muita gente visitar Dubai e se hospedar naqueles maravilhosos hotéis, conhecer paisagens tão diferentes das nossas, passear no deserto sobre um camelo, etc. Confesso que eu gostaria muito. Sabemos que uma coisa é você visitar um lugar como turista e outra, bem diferente é viver lá. Mas como será viver em Dubai? E sob o ponto de vista de uma brasileira?


         Como você já sabe, entrevistamos com exclusividade a comissária G. F., uma brasileira que voou por muitos anos em uma cia aérea nacional e que trabalha atualmente na Emirates e mora em Dubai. No post anterior ela nos contou como foi sua trajetória até chegar na “Ermis” (como carinhosamente os tripulantes se referem a essa companhia). Nessa segunda parte ela vai nos contar como é morar e viver em Dubai, o que pode ser o sonho para muita gente, além de dicas imperdíveis para que já se decidiu.  E aí, você encararia?
Vamos deixar que a própria G. F. nos conte sua experiência:
“Eu considero que minha adaptação em Dubai fácil, algumas amigas tiveram dificuldade, mas eu me adaptei facilmente e acredito que tudo depende de sua experiência anterior, ou seja, se você já morou fora do país é mais fácil, se você mora sozinha também facilita e principalmente quem você está deixando pra trás no Brasil. Tenho uma amiga, por exemplo, que no primeiro mês só chorou, mas depois que começou a voar ficou tudo bem, agora ela ama a profissão e está ótima.
A dica que eu dou para quem está participando do processo seletivo ou mesmo para quem está pensando nessa possibilidade é ler bastante sobre Dubai, sobre a cultura e procurar conversar com pessoas que moram aqui também.  Esse tipo de atitude pode facilitar bem as coisas para você.

Outra dica bem legal e que facilitou bastante foi criar um grupo no WhatsApp de colegas brasileiros, a gente se ajudou muito principalmente no começo, inclusive com as dúvidas que tínhamos sobre a documentação e algumas dicas sobre o processo todo. Depois quando chegamos a Dubai marcamos e nos encontramos e fazemos isso até hoje. Comemos comida brasileira, falamos português, contamos piadas e nos divertimos bastante. Isso ajuda muitíssimo.
Eu cheguei a Dubai no verão e é muito calor, normalmente as pessoas nem saem de casa por causa do imenso calor, nem vão à praia, e isso pra mim foi um pouco estranho, quero dizer, como assim não ir à praia no calor? Mas olha, o calor é insuportável mesmo e também é chato ficar em casa, mas sair às ruas é muito pior. No início eu não senti muito isso porque nos dois primeiros meses eu estava em treinamento e era muito puxado, eu não tinha tempo nem para matar minha curiosidade e curtir Dubai.
Saber alguns detalhes realmente faz a diferença para se viver bem por aqui, por exemplo, você não consegue comprar aqui nenhum tipo de bebida alcoólica, não se vende em mercado, só em lugares que são como armazéns e para comprar você tem que tirar uma licença, sem ela você não pode comprar nenhum tipo de bebida alcoólica.
Em Dubai você tem muitas opções de compras, muitos shoppings com as mais variadas lojas, inclusive redes americanas, logico que não é o mesmo preço que no EUA, mas em época de promoções vale a pena.
A Emirates dá os colaboradores, assim que terminam seu treinamento, um cartão que se chama Face Card, com ele você tem descontos em vários lugares, como lojas, day use em excelentes  hotéis que você entra só para curtir a academia, a piscina, o bar e pode ir quantas vezes você quiser . Eu não gasto com academia, sempre que posso vou às academias dos hotéis que são ótimas.
O calor no verão é realmente terrível, só dá pra fazer programas indoor, tipo shopping, ou ficar em casa “curtindo” um ar-condicionado.  Quando não está tão quente é possível passear no deserto, ir a praia, andar de patins, caminhar, etc. Têm muitas praias, algumas badaladíssimas com vários esportes aquáticos, além de rede de vôlei, onde muita gente vai jogar a tardezinha. É muito gostoso descobrir Dubai, lógico que no começo, quando você não conhece muitas pessoas é mais chatinho, mas somos brasileiros e fazemos amizade rápido.
Aliás, em Dubai tem gente de todas as partes do mundo, o que te possibilita aprender muita coisa sobre diversas culturas. Isso pode ser uma vantagem ou desvantagem dependendo do ponto de vista. É uma vantagem porque você aprende muito sobre as mais diversas culturas e pratica constantemente o inglês, mas a desvantagem, ou melhor, o desafio é que culturas diferentes também trazem comportamentos com os quais não estamos muito acostumados. Eu explico: normalmente são pessoas mais reservadas, mais difíceis para você fazer amizade, com hábitos diferentes, jeito de falar diferente que pode ser considerado por muitos como rudes ou grosseiros. É bom lembrar que assim como o inglês não é nossa língua mãe, gerando algumas dificuldades quando precisamos nos expressar, essas pessoas com as quais estamos nos comunicando também passam pelas mesmas experiências, ocasionando problemas na comunicação, que por vezes acaba sendo mal interpretado e faz com que achamos grosseira a maneira com que nos dirigiram a palavra, mas não é.  Por outro lado, isso pode ser desafiador: aprender outras culturas e tentar entender o comportamento de cada um, no meu caso acho isso muito legal.
Agora desafiador mesmo é se locomover em Dubai, é necessário ter uma boa dose de paciência. Os taxistas daqui são muito perdidos, você pede para eles te levarem em algum lugar e eles não sabem, você dá referência, mas mesmo assim eles se perdem. Acredito que é porque as ruas não têm nomes, e as casas não têm números, eles conseguem se guiar apenas pelo nome do prédio, ou seja, é uma loucura.
Muita gente me questiona sobre o tipo de roupa que se usa aqui, isso parece atiçar bastante a curiosidade das pessoas, mas eu sempre digo que as regras aqui são diferentes do Brasil e sem dúvida precisam ser respeitadas. O tipo de roupa mais adequado é saia comprida ou calça e blusa que tape os ombros, se você sair muito diferente disso um guarda pode te chamar a atenção.  Ou seja, mesmo para ir ao mercadinho do lado, em um calor terrível, shorts e camiseta nem pensar!
Uma vez eu fui a uma balada, minha saia não era tão curta, mas tive problemas com o taxista que não tirava os olhos das minhas pernas, não conseguia olhar para frente, precisei cobrir minhas pernas com uma blusa e minha sorte que estava com umas amigas. Confesso que fiquei com medo. Temos que lembrar que determinadas coisas fazem parte da cultura e não adianta vir e tentar muda-los, afinal de contas somos nós que estamos no país deles e devemos nos adaptar.
Para finalizar eu encorajo todo mundo que sonha em trabalhar fora do país a tentar.  Só vivenciando por algum tempo a experiência de estar e trabalhar em um país diferente com hábitos e cultura muitas vezes estranha para nós, que você acalmará seu coração e poderá concluir o quanto você cresceu como pessoa e profissional. Desejo boa sorte para todo mundo que estiver tentando e não se esqueça de buscar informações também sobre a profissão de comissário para ir mais ciente sobre como é o trabalho do tripulante”.
Comente neste post as histórias que você vivenciou, e se assim como a G.F. você encararia uma experiência dessa.
Além disso, se você vive ou viveu uma situação interessante, pode ser algo inusitado, pitoresco ou até mesmo trágico como um acidente, por exemplo, faça como G. F. e conte para gente. Quem sabe sua história possa virar um post e servir de inspiração para muita gente?

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