13 de outubro de 2016

A Vida de um Comissário de Voo


Aprendi a comer sozinho, a comer rápido, a comer o que tiver. Aprendi a comer em pé, sentado, aprendi a engolir a comida, aprendi a comer sem beber, sem agradecer, sem escolher. Aprendi a andar no mundo, de um lado para o outro, na incrível correria a que me condicionei. Aprendi a não ter casa, a não ter lugar, aprendi a morar na mala, não ter hora para dormir, mas impreterivelmente ter hora para acordar. Trabalhar na madrugada, trabalhar a noite, dormir de dia e quando dá, se não dá a gente cochila rapidinho e vai voar.  

Mudar de áreas, lugares, mudar todo dia de cama, mudar de travesseiro, todo dia ter que agradar o passageiro, sorriso, ah, esse não pode faltar. Não importa como anda o coração, nosso serviço é agradar, sete dias na semana, 24h por dia. A aviação não para, ela é ágil, é elétrica, enquanto uns descansam os outros não deixam o sonho parar. 

A saudade aperta, dói nosso coração por aqueles que ficam em casa nos esperando voltar, é isso ai, vivendo dia após dia nosso dia é um grande pássaro de aço e a gente gosta e gosta muito, muito mesmo. Realizamos sonhos, minimizamos a saudade e medo de uns, confortamos a dor de outros, é difícil explicar, mas hoje, só o que eu sei é voar, mesmo que um dia eu não esteja cruzando este imenso céu, no meu coração sempre ficará o sentimento de missão cumprida.

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