17 de julho de 2017

A tragédia de congonhas completa 10 anos

O maior acidente aéreo brasileiro, que vitimou 199 pessoas no Aeroporto de Congonhas, completa 10 anos. 

São Paulo, 17 de Julho, 18h48min, acontecia o maior acidente aéreo no Brasil, o Airbus A320 da TAM que fazia a rota JJ3054, Porto Alegre – São Paulo, que realizava pouso na pista 35L, não conseguiu frear, ultrapassou os limites da pista, cruzou a Avenida Washington Luís e atingiu o prédio da própria companhia, vitimando 183 passageiros e tripulantes a bordo, e mais doze pessoas que trabalhavam no prédio.

O relatório final divulgado pelo CENIPA (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos) e pela FAB (Força Aérea Brasileira) em Setembro de 2009, apontou como causas principais do acidente o erro do piloto, ao configurar irregularmente as manetes, falta de infraestrutura aeroportuária brasileira, faltando groovings (ranhuras) na pista de Congonhas e autonomia excessiva aplicada aos computadores da aeronave.

Antecedentes:

As duas pistas do aeroporto de Congonhas se encontravam escorregadias, principalmente em dias de chuva, uma inclinação impedia o escoamento da água acumulada sobre o asfalto, o excesso de borracha sobre a pista causado pelo impacto dos pneus ao pousar, falta de espaço para áreas de escape junto às cabeceiras, logo ao final da pista encontrava-se a avenida Washington Luís e vários prédios, casas e edifícios comerciais. Um ano antes do acidente, um Boeing 737 da BRA Transportes Aéreos deslizou sobre a pista, o piloto conseguiu parar realizando a manobra conhecida como “cavalo de pau”, o que evitou um acidente na avenida Washington Luís. Após o acidente a pista recebeu as reformas necessárias.

Caixa Preta:

Dados da caixa preta da aeronave mostraram que antes do pouso, ambas manetes de potência estavam na posição CL (posição de subida, com 80% de potência), regulados pelo sistema autothrottle da aeronave, sistema que regula a potência com base em uma velocidade determinada pelo piloto.  Segundos antes do pouso, a aeronave anuncia um aviso sonoro, indicando para colocar as manetes em posição ID (posição de pouso, sem potência). Isso desativaria o sistema autothrottle da aeronave e ativando os spoilers (pequenas aberturas nas asas para quebrar a resistência do ar e diminuir a velocidade). Após o aviso, o piloto trouxe apenas a manete da esquerda para a posição ID, ativando o reverso do motor esquerdo, enquanto a manete direita estava na posição CL, com 80% de potência.

Recomendações do CENIPA:

O relatório do Cenipa listou 83 recomendações para evitar uma nova tragédia. São elas; instalação de um dispositivo de luzes e avisos sonoros para alertas pilotos sobre erro de posição de manetes. Congonhas teve reduzidas as distâncias de decolagem e pouso, que antes eram que 1.940 metros na pista principal para 1.790 metros na decolagem e 1.660 para pouso e, na pista auxiliar, para 1.345 metros e na decolagem e 1.195 no pouso, possibilitando a implantação de uma área de escape, e a operação sem o grooving na pista é proibida. A pista auxiliar não pode ser mais utilizada para pousos e uma reforma foi feita para impedir o acúmulo de água. As aterrisagens com os reversos travados foram proibidas e foi imposto limite de peso para pousos.

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