30 de maio de 2019

PARTO A BORDO: BEBÊ NASCE DURANTE VOO INTERNACIONAL






VIDA DE COMISSÁRIO DE VOO
O que acontece nos bastidores do voo

II

Você que tem acompanhado essa série de post que estamos fazendo homenageando os Comissários de voo já entendeu que esses profissionais estão muito longe de ser figuras decorativas a bordo ou ainda necessários apenas para fazer o serviço de bordo.

Sim, eles deixam nossa viagem mais confortável, mas sua principal função a bordo é a segurança dos passageiros, atender as emergências, orientar, resguardar nossa integridade física durante o voo.

Mas que tipo de emergências esses profissionais lidam no seu dia a dia?

Nesse post vamos falar sobre emoções fortes, como um tripulante lida com o nascimento de um bebê e também com a perda de uma vida a bordo.

Prepare-se: fortes emoções a bordo!

Célio é um comissário experiente, com muitas horas de voo e não deixa de se emocionar ao contar suas experiencias quando o assunto é vida humana.

Ajudar um bebê a vir ao mundo por exemplo, é uma experiência ímpar em sua carreira. Ele se sente muito privilegiado por ter tido essa experiência duas vezes ao longo de sua carreira.

Ele nos contou que em um voo com destino a Ilha do Sal, na África, um bebê que não quis esperar chegar ao destino, resolveu vir ao mundo ali mesmo, na galley do avião. Sua mãe, uma senhora de aproximadamente 40 anos, já tinha outro filho. Ela deitou-se no chão e, como disse o Célio, deixou a natureza fazer seu trabalho. A ele coube preservar a privacidade dela, cuidar para que aquele ambiente fosse o mais limpo possível e assistir emocionado a vida acontecendo.

Em outro voo, ele também ajudou uma jovem de 18 anos que estava sobrevoando o Japão a dar à luz. Esse caso não foi assim tão tranquilo, uma vez que era o primeiro filho da parturiente e ela gritava muito por conta das dores, o que deixou a tripulação e passageiros nervosos. Além disso esse trabalho de parto foi um tanto demorado. Uma angústia para quem estava por perto e não podia fazer nada a respeito.

Em ambos os casos quando o bebê nasceu o alívio e a emoção tomou conta não só da tripulação, mas de todos os passageiros, com certeza.

Eu mesma já viajei de avião quando estava grávida de 7 meses (31 semanas) da minha filha caçula. Na época a companhia informou que eu precisaria portar um atestado do meu médico dizendo que eu poderia viajar sem problemas. Embora não possuísse tal documento viajei sem problemas.

Hoje é praxe de algumas companhias pedir esse documento dos médicos, exatamente para evitar situações como as que acabamos de relatar.

Na Azul por exemplo, entre a 29ª e 35ª semanas a gestante deve apresentar o atestado médico autorizando a viagem. Entre a 36ª a 37ª semanas além da autorização médica a gestante deverá preencher uma Declaração de Responsabilidade fornecida pela empresa e disponíveis nos aeroportos. Mas a partir da 38ª semana a gestante só poderá viajar acompanhada pelo seu médico.

Na Latam os procedimentos são bem parecidos, da 28ª até a 36ª semanas de gestação atestado médico, necessário apresentá-lo no check-in. A partir das 36º semanas além do atestado será necessário enviar um formulário de informações médicas para viagens, disponível no site da empresa para análise da equipe médica da Latam. Esse documento deverá ser apresentado também no check-in junto com demais documentos.

No caso da Gol até a 37ª semanas é semelhante a outras companhias, mas a partir da 38ª só é permitido o embarque da gestante em situação de extrema necessidade e com a Declaração de Responsabilidade preenchida, além de estar acompanhada por um médico obstetra.

Vida de comissário é realmente emocionante.

Você já vivenciou alguma emergência a bordo?

Próximo post: o que acontece quando você dorme durante o voo?

Tem uma história hilária (será sonambulismo?), não perca

Edna Soares
Master Coach
Especialista em Aviação

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